Mais um dia marcante para a história do nosso blog! Esta quinta-feira passámos pela primeira vez um filme do nosso ciclo para o público. Um obrigado a todos aqueles que estiveram presentes, e esperemos que da próxima vez apareçam ainda mais.
Ora bem, o filme desta semana foi o "Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb", de Stanley Kubrick (um dos mais longos títulos da historia do cinema). E até ao momento, da nossa fantástica lista, este foi o filme que mais gostei.
A história começa com um general da Força Aérea do Estados Unidos mentalmente instável que, durante a guerra fria, convence-se de que os russos estão envolvidos numa conspiração para poluir a água dos cidadãos americanos e ordena um ataque nuclear à União Soviética.
A partir daqui o enredo desenvolve-se em torno da tentativa do presidente dos Estados Unidos de recolher os bombardeiros, tentando prevenir (sem sucesso) o holocausto nuclear.
Pois bem, e o que fez o "Dr. Strangelove" tornar-se na referência que é actualmente para o cinema? Perguntam vocês.
Ora, a genialidade deste filme reside na forma em como Kubrick o apresenta e na época em que o apresenta.
O filme é uma sátira carregada de humor negro que, surgido numa época de grande tensão (e até paranóia) devido à guerra fria e corrida às armas nucleares, consegue descrever um resultado catastrófico (e não completamente improvável) da guerra e ao mesmo tempo fazer o espectador rir.
Ainda a forma como consegue capturar o absurdo da guerra e de algumas decisões e entidades políticas tornam este filme único.
Falando agora de aspectos mais técnicos, um pormenor interessante que gostaria de apontar é que o filme se desenrola em apenas 3 cenários distintos (tendo cada um deles estilos de câmara distintos):
1- A cabine do bombardeiro (B-52), em que as cenas são principalmente à base de close-ups, para reforçar a ideia de um espaço fechado;
2- A Sala de Guerra, em que a maioria das cenas é filmada à distância com uma câmara fixa;
3- O escritório do General da Força Aérea, que usa um estilo mais livre, com mais movimento.
Ainda, não poderia deixar de referir a brilhante prestação de Peter Sellers, que nos consegue providenciar não uma, não duas, mas três personagens hilariantes no decorrer do filme. Sendo estas: Dr. Strangelove,
o president Merkin Muffley e Lionel Mandrake (capitão da RAF).

Para terminar, após a rodagem do filme algumas pessoas questionaram o que havia de errado com a personagem do Dr.Strangelove (além do óbvio), para quem ainda se sentir curioso aqui vai:
Alien hand syndrome.
"Mein Führer! I can walk!"