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18 janeiro, 2009

#10 The Usual Suspects

Bons olhos os vejam vossemecêses indivíduos peculiares que se encontram a ler esta minha crítica neste magnífico blog. Espero que vos esteja a correr tudo bem na vida. Esta semana trago-vos um daqueles filmes que me fazem arregalar a vista! Mas deixemo-nos de "vocês".

Para ficarem com uma melhor ideia do que temos aqui, este é um daqueles filmes sobre um bando de criminosos a tentarem a sua sorte no que melhor sabem fazer. Não parece nada de mais? Pois vejam o filme antes de voltarem a ter esse pensamento. Do pouco que já vi do infindável mundo do cinema, este é um dos grandes filmes do género. Não acreditam? Continuem a ler.

Em primeiro lugar, este é sem dúvida dos melhores enredos de um crime thriller que anda por aí (não é por acaso que ganhou o Óscar para Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen). Começa tudo muito normalmente quando, na sequência da investigação de um roubo a um camião, a polícia reúne o melhor grupo de suspeitos que consegue arranjar, uns quantos criminosos de segunda. E é assim que este grupo se conhece e começa então a trabalhar em conjunto. Depois temos uns quantos golpes, umas cenas de acção q.b., uma lenda do crime à mistura (Keyser Soze), uma intriga de se lhe tirar o chapéu e ainda um ou outro twist. Já vos começa a parecer uma coisa com potencial, não? Pelo menos para mim, são do tipo de "ingredientes" que tem grandes possibilidades de dar num bom filme. E neste caso, o resto correu bastante bem. De tal forma que ao longo do filme a minha curiosidade ia aumentando e na minha cabeça iam-se formando teorias em relação ao que se estava a passar e que não estava a ser contado.

Em segundo, é preciso falar das actuações desde bando de malfeitores da sociedade disfarçados de bons da fita. Claramente as grandes honras da casa vão para o Kevin Spacey que ganhou o outro Óscar arrecadado por este filme. Na pele de Verbal, ele representa um criminoso manco que é o coitadinho do grupo cujo passado misterioso contribui em muito para o ambiente do filme. Sem serem brilhantes, mas sem parecerem mal, temos os bons papeis de Stephen Baldwin, Gabriel Byrne, Benicio Del Toro, e do Kevin Pollak, cujos nomes com certeza vos irão fazer aumentar a curiosidade.

Para finalizar, fora a história e as actuações, acho que é um filme muito fluído onde o alternar entre o narrar da história e as cenas mais mexidas parece sempre muito natural. Neste aspecto, está tudo muito simples mas muito bom.

Espero ter aguçado o apetite a quem não viu. É sem dúvida um dos filmes marcantes dos anos 90, um must-see. Tenho que agradecer a quem sugeriu o porque foi uma grande escolha para o nosso ciclo. Até à próxima pessoal!

He becomes a myth, a spook story that criminals tell their kids at night.
"Rat on your pop, and Keyser Soze will get you."

10 janeiro, 2009

#9 My Left Foot

Olá a todos outra vez! E bem-vindos ao primeiro post de 2009 do nosso blog *joy*
Queria começar por pedir desculpa a todos os bloggers compulsivos, que rondam o BTTF diariamente, pelo atraso da crítica ao nosso último filme. Mas é que entre férias do natal, exames e preguiça não houve até ao momento disponibilidade para tal. Mas tudo isso são erros do passado, e vamos agora passar ao que realmente interessa:

O filme da semana foi “My Left Foot” (“My Left Foot: The Story of Christy Brown” para os puristas). É possível que muitos de vós nunca tenham ouvido falar dele, eu próprio até há pouco tempo também o desconhecia por completo, até porque o facto de se tratar de uma biografia era algo que não cativava muito o meu interesse. Surpreendentemente este filme acabou por ser a maior surpresa (pela positiva) até ao momento, vamos lá saber porquê.



O filme trata da vida de Christy Brown, nascido em Dublin no seio de uma família pobre e numerosa. No entanto Christy Brown não é um rapazinho normal, este nasceu com paralisia cerebral, não tendo qualquer controlo motor sobre o seu corpo à excepção do seu pé esquerdo. Assim, nos primeiros 10 anos da sua vida Christy é considerado atrasado e um fardo para a sua família, até ao dia em que pega num pedaço de giz (com o seu pé esquerdo) e escreve uma palavra no chão. A partir deste dia a sua vida muda radicalmente.

O aspecto que mais me cativou neste filme foi, como não podia deixar de ser, a caracterização da personagem principal. Isto porque Christy é-nos apresentado, não como uma pessoa angelical, perfeita e incompreendida (uma vitima da sociedade), mas como um ser humano normal e com todos os seus defeitos: alcoolismo, inveja, revolta, arrogância, frustração.

Ainda, factor que parece marcar bastante a sua personalidade é o facto de não ter sido criado dentro de uma bolha, protegido do mundo exterior. Christy desde de pequeno que faz tudo o que os seus irmãos fazem, desde futebol a jogos com raparigas.

Christy trata-se de um irlandês inteligente e perspicaz que calhou nascer com uma deficiência.

É ainda de notar que o brilhantismo deste filme deve-se em grande parte ao desempenho de Daniel Day-Lewis, que faz um retrato extraordinário de Christy Brown da puberdade até à vida adulta. Presenteando-nos em diversos momentos com atitudes, expressões e falas (especialmente de humor negro) que aliviam a tensão num filme que poderia parecer excessivamente pesado.

Prestação que foi reconhecida pela academia, tendo ganho o Óscar de melhor actor (1990).

“-But Mr. Brown, you know that smoking is not good for you.”
“-I didn't ask for a f*ing psychological lecture, I only asked for a f*ing light.”

24 dezembro, 2008

Bom Natal pessoas que passam por aqui!

Hey folks!

Após fazer e comer uma catrefada de sonhos, estava aqui à espera que a minha família se aprontasse para sair de casa em direcção ao meu jantar de véspera de natal. E lembrei-me: "Falta uma mensagem de natal no BTTF!"

Por isso cá vai a nossa mensagem em forma de uma das mais míticas frases do cinema (pelo menos para mim):
Bom Natal a todos!

13 dezembro, 2008

#8 Brazil

Terry Gilliam! Para quem não sabe é o membro dos Monty Python que faz aqueles bonequinhos e, quanto a mim, também um brilhante realizador!

Tudo isto porque o filme da semana foi Brazil, dirigido pelo senhor anteriormente mencionado…

O filme segue a vida de Sam Lowry, um homem que leva uma vida aborrecida num mundo futurista distópico repleto de maquinaria. Sam escapa constantemente para um sonho em que é um cavaleiro, num mundo de fantasia, que tenta salvar uma mulher misteriosa. A sua vida altera-se completamente quando um erro de computação troca a identidade de um suposto ‘terrorista’, Harry Tuttle (Robert De Niro), por um tal de Harry Buttle. Este evento despoleta então, uma série de acontecimentos na vida de Sam, incluindo a aparição real da mulher mistério dos seus sonhos.

No final do filme, uma das questões que mais me ficou na cabeça foi esta: Porque se chama o filme Brazil? Sendo que a única relação aparente do filme com o seu título é a constante sonoridade da canção “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso, esta é de facto uma questão, para mim, relevante que, após alguma reflexão e pesquisa, posso responder. Seguindo o conceito de leitmotif, esta canção aparece ligada às aventuras e desventuras de Sam Lowry em oposição à sua vida enfadada e ao mundo em que vive. É por isto que para mim, o belo efeito sonoro constante da música acompanha sempre o motivo do filme e daí o nome Brazil.

Um dos aspectos fulcrais do filme é o facto de se tratar de uma sátira que representa um mundo que vive em distopia e é repleto de burocracia, máquinas e condutas que ninguém entende mas que são essenciais ao funcionamento normal da sociedade. Além de fornecer todo o ambiente (com excepção dos sonhos de Sam), este aspecto contribui também, fortemente, para o humor do filme, satírico e negro na maioria das vezes.

Pessoalmente, acho que o filme brilha principalmente pelos seus aspectos não técnicos. Ainda assim, achei que a fotografia e os cenários estavam sublimes, especialmente pela inclusão constante das condutas pela cidade, pelas casas e principalmente no restaurante chique que reforçava a ideia de apatia das pessoas em relação à sociedade.

É de aludir ainda, que o Senhor Terry Gilliam refere este filme como sendo o 2º de uma trilogia que começa por Time Bandits(1981) e acaba com The Adventures of Baron Munchausen(1989). Esta ideia não se deve a um normal encadeamento lógico, mas sim ao facto de cada um dos filmes tratar da "loucura da nossa estranhamente organizada sociedade e do desejo de escapá-la por quaisquer meios possíveis". Os 3 filmes dão foco a essas lutas e à tentativa de escapá-las através da imaginação: o 1º através dos olhos de uma criança, o 2º, de um homem de meia-idade e o 3º, de um idoso. Por isso deixo já aberta a sugestão de verem os outros dois... (i know i will :D)

Por fim, dizer (adoro esta forma de expressão) que por tudo isto, foi um filme que gostei bastante e não é por nada que é considerado um filme de culto e um dos mais criativos, influentes e importantes dos anos 80.

"Don't fight it son. Confess quickly! If you hold out too long you could jeopardize your credit rating."

FIGHT THE POWER!

06 dezembro, 2008

#7 American Graffiti

Mais uma semana, mais um filme proposto, mais uma sessão de "opinanço" que aí vem. O filme desta semana é o American Graffiti, um filme com argumento e realização a cargo do mestre George Lucas, produzido por Francis Ford Coppola e que conta com a participação de actores como Richard Dreyfuss, Ron Howard e Harrison Ford.

Após ler estes nomes o pessoal já deve estar a pensar: "Bolas eu nem quero saber de que se trata este filme, com tantos nomes de alto gabarito só pode ser bom", vá pessoal, vamos com calma, primeiro o argumento.

O filme conta a história de um grupo de 4 amigos e nas aventuras que estes vivem na última noite em que estão todos juntos, uma vez que Steven (Ron Howard) e Curt (Richard Dreyfuss) partem na manhã seguinte para a faculdade. A película retrata a noite dos anos 60, numa pequena cidade norte-americana, onde o conceito de diversão para os jovens era andar a vaguear pelas ruas a exibir os seus carros, assistir filmes num qualquer "drive-in" ou participar em corridas de rua (que pelos vistos já não é coisa só da nova geração "tunning"). A partir desta descrição podem deduzir que este filme trata-se de uma orgia automobilistica, onde o carro, mais do que um mero meio de transporte, interpreta um papel crucial na vida social e sexual desta geração.

Nesta longa metragem podemos ainda contar com uma banda sonora muito rica em êxitos da década de 60. Para espelhar a importância da música na época surge Wolfman Jack, um locutor de rádio pirata que é uma constante durante toda a problemática, estando sintonizado em qualquer rádio no filme. American Graffiti foi dos primeiros filmes a ser exibido com o sistema de som THX, sistema este que George Lucas havia desenvolvido pouco antes do início da produção do mesmo.


Com tudo isto dito sobre o filme está na hora da minha opinião pessoal e cá vai ela: tudo bem que o conceito de um filme sobre adolescentes que estão em fase de transição pode ter sido novidade nos anos 70 mas hoje em dia está um pouco vulgarizado. Tomando como exemplo o filme American Pie (o primeiro, é claro), podemos apontá-lo como sendo um "remake" do American Graffiti segundo uma prespectiva mais ao estilo da geração de 90, mais voltado para a comédia e muito mais "badalhoco", e como este surguiram muitos mais ao longos dos últimos anos, cada vez mais decadentes.

Embora tenha gostado do filme tenho a certeza que a maior partes dos filmes anteriores apresentam características mais fortes que os tenham levado a entrar para a história do cinema. Se gostam de carros antigos americanos, este é o vosso filme.

Treat your mother Right!